Resíduos de antibióticos em leite: Gentamicina

Resíduos de antibióticos em leite: Gentamicina o que precisamos saber para um controle efetivo da qualidade[1]

Em primeiro lugar vamos entender o que é a gentamicina. Ela é um antimicrobiano da classe dos aminoglicosídeos, produzido por um actinomiceto, a  Micromonospora purpurea. Foi estudado inicialmente por Welstein em 1963 e purificado por Rosselot em 1964.[3] Seu mecanismo de ação consiste na inibição da síntese proteica.

A gentamicina é um antibiótico utilizado no tratamento de bovinos para o tratamento das seguintes enfermidades[2], entre outras:Gentamicina-2

  • Mastites agudas e crônicas de vacas em lactação provocadas por germes sensíveis à gentamicina. É empregado no tratamento de infecções causadas pelas seguintes bactérias: Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus uberis, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Enterococcus spp, sensíveis à gentamicina.

 

  • Tratamento de doenças causadas por Salmonella sp (Salmonelose, septicemia), Staphylococcus sp (abscessos, mastite, metrite, endometrite), Streptococcus sp (mastite, metrite, endometrite), Bacillus sp (carbúnculo hemático),  coli (disenterias, diarréias, metrites, endometrites), Clostridium tetani (tétano), Clostridium chauvoei (carbúnculo sintomático), Clostridium perfringens (gangrena), Corynebacterium pyogenes (Mastite), Pasteurella sp (bronquite, pneumonia).

 

  • Tratamento e controle de infecções do trato respiratório, urinário, genital e gastrointestinais, causados por Salmonella typhimurium, Pseudomonas aeruginosa, coli, Proteus spp., Streptococcus spp. e Staphylococcus spp., que acometem os animais domésticos.

 

  • Pneumonia produzida por Pasteurella haemolytica e Haemophilus somni, diarréia produzida por Escherichia coli, mastite produzida por Streptococcus agalactiae e Staphylococcus aureus, metrite produzida por Escherichia coli e Corynebacterium pyogenes, abscessos cutâneos produzidos por Staphylococcus pyogenes e Corynebacterium pyogenes. Equinos: penumonia produzida por Pasteurella haemolytica, diarréia e infecção genitourinária produzidas por Escherichia coli, infecção produzida por Streptococcus sequi, abscessos produzidos por Staphylococcus pyogenes e Corynebacterium pyogenes.

 

  • Tratamento das mastites agudas e crônicas das vacas em lactação, causadas por Staphylococcus aureus (produtores ou não de coagulase), Streptococcus agalactiae dysgalactiae e S. uberis, Escherichia coli, Enterococcus sp e Pseudomonas sp, sensíveis à gentamicina.

 

  • Tratamento das metrites e endometrites que acometem os bovinos, eqüinos e suínos causadas por: Staphylococcusspp, Streptococcus spp, Corynebacterium pyogenes, Escherichia coli, Pseudomonas spp, Klebsiella spp, Shigella spp, Samonella spp, Proteus.

 

  • Tratamento de quadros de diarreia, das mais diversas etiologias, em bovinos, bubalinos, caprinos e ovinos. Landic® reduz a motilidade e a atividade secretoraintestinais, o que propicia a diminuição da diarreia e combate de bactérias,como Escherichia coli,Enterobacter , Salmonellassp., Staphylococcus ssp., Shigella ssp., Streptococcus ssp. E Clostridium ssp., que causam ou agravam o quadro de enterite.

 

Como se pode ver acima as indicações de usos são bastante variadas, com ênfase nos tratamentos das mastites, vacas em lactação e secas, profilaxia pós parto, doenças respiratórias, etc… Desta forma é importante que este antibiótico seja considerado nas análises de riscos dos laticínios, principalmente nas épocas de chuvas mais intensas e nas parições.

Para entendermos mais como deveríamos realizar este controle, precisamos determinar alguns parâmetros, para nos auxiliar nas tomadas de decisões. Em primeiro lugar deveremos saber quantos tipos de medicamentos temos, as posologias e os períodos de carência, para em seguida trabalharmos os aspectos de como, quando e com qual intensidade deveremos controlar os resíduos de antibióticos de gentamicina no recebimento do leite.

Vamos avaliar os produtos que se encontram disponíveis no mercado[3], os mesmos estão listados com as suas marcas comerciais e respectivos fabricantes na tabela 1, através das análises das bulas dos mesmos e das recomendações contidas nestas.

Também precisamos saber quais seriam os períodos de tratamento e estes variam com as seguintes posologias[4]:

  • Menor prazo recomendado: três dias
  • Maior prazo recomendado: cinco dias

 

Para o período de carência, também temos uma variação bastante grande, o que pode confundir bastante um usuário inexperiente ou que não se atente perfeitamente à leitura da bula e que não siga as recomendações de um profissional da medicina veterinária:

  • Menor prazo de carência: três ordenhas, ou 36 horas, ou um dia e meio
  • Maior prazo de carência: 10 ordenhas, ou 120 horas, ou cinco dias.

 

Vale notar que o tempo de meia vida da molécula é 1,5 a 4 horas. Tempo de meia vida é o tempo da redução de 50% da concentração da droga aplicada no organismo. Exemplo para uma concentração de 10.000 ppb será reduzida para 5.000 ppb, depois para 2.500 ppb e assim sucessivamente, até que esteja abaixo do limite máximo de resíduos.

Notem que esta gama de utilização, pode confundir, e muito o produtor de leite que não conte com um suporte técnico adequado e com um sistema de informações organizados e procedimentos padronizados na fazenda. A não observância rígida dos procedimentos corretos e uma boa organização, podem levar à contaminação do leite.

Tabela 1: Medicamentos à base de gentamicina, suas marcas e fabricantes, disponíveis para comercialização no mercado brasileiro

Produto Empresa
GENTA F MARCOLAB
GENTAFLEX PEARSON SAÚDE ANIMAL
GENTAMAX MARCOLAB
GENTAMICINA VANSIL VANSIL SAÚDE ANIMAL
GENTAMOX HIPRA SAÚDE ANIMAL
GENTASIL VANSIL SAÚDE ANIMAL
GENTATEC MASTITE 250 MG CHEMITEC
GENTATEC VACA SECA CHEMITEC
GENTATEC® CHEMITEC
GENTATEC® MASTITE 150 MG CHEMITEC
GENTRIN INFUSÃO UTERINA OURO FINO
GENTRIN INJETÁVEL OURO FINO
LANDIC VETNIL
MASTIFIN OURO FINO
MASTIFIN VACA SECA OURO FINO
MASTILAC LEIVAS LEITE S/A
MASTIVET INTRAMAMÁRIO CHAMPION
MASTIZONE PLUS LACTAÇÃO UCBVET SAÚDE ANIMAL
MASTIZONE V.S. (VACA SECA) UCBVET SAÚDE ANIMAL
PANGRAM 10% VIRBAC DO BRASIL
TOPMAST – NOXON (GENTAMICINA) NOXON
VIGORGET VIGOR SAÚDE ANIMAL

 

Com relação aos resíduos de gentamicina no leite a mesma deverá seguir os limites máximos de resíduos[5] –LMR – estabelecidos pela ANVISA e incorporados pelo MAPA no PNCRC[6], que forma estabelecidos em menor que 100 ng/ml – ppb.

Para a realização de um controle efetivo, todo método utilizado para esta análise deverá detectar os resíduos de gentamicina, em níveis abaixo destes 100 ng/ml – ppb – para estar em conformidade com a legislação brasileira.

Mas o que, na prática deveria ser feito para garantir a ausência de resíduos no leite? Elaboramos uma tabela prática para produtores e indústria de laticínios, com a finalidade de controlar resíduos de gentamicina e garantir que o leite recebido esteja dentro da legislação:

Produtor Laticínio
Identificar as vacas em tratamento Coletar amostras diárias de todos os produtores de leite
Controlar a medicação e o número de doses do tratamento. Manter as informações anotadas sobre a aplicação do medicamento e também a documentação sobre a mesma Elaborar um plano de mapeamento de resíduos que leve em conta as principais drogas utilizadas e as épocas de suas utilizações
Observar rigorosamente o tempo de descarte previsto na bula da medicação Controlar o leite recebido com metodologia que comprovadamente possa detectar resíduos de gentamicina abaixo do LMR – 100 ppb (ng/ml)
Ordenhar os animais em separado e informar ao laticínio que está realizando tratamento com gentamicina em seus animais. Nos casos positivos fazer a rastreabilidade nas amostras coletadas para identificar a fonte da contaminação e a orientação ao responsável, de acordo com a política do laticínio.
Misturar o leite dos animais em tratamento somente depois de ter a certeza de resultados abaixo de 100 ppb (ng/ml) que é o LMR para gentamicina. Estabelecer um programa educativo para os seus fornecedores de leite, empresas e produtores, sobre os perigos e consequências danosas dos resíduos de antibióticos no leite

 

Esperamos que com esta introdução ao assunto tenhamos ajudado com algumas explicações sobre a contaminação de resíduos de gentamicina no leite e colocamos nosso contato abaixo, para os que se interessarem em conhecer mais sobre o tema e também desejem saber mais sobre o método SNAP Gentamicina, para o controle deste resíduo no leite, colocamos nossos contatos a sua disposição:

vendas@idexxbrasil.com.br

11-3095-5637
11-9-9355-5890

[1] André Oliveira – Gerente de produtos Dairy para a América Latina da IDEXX Laboratories, Inc.

[2] Compendio de Produtos Veterinários do SINDAN – SINDICADO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE PRODUTOS PARA SAÚDE ANIMAL – www.sindan.org.br

[3] Compendio de Produtos Veterinários do SINDAN – SINDICADO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE PRODUTOS PARA SAÚDE ANIMAL – www.cpvs.com.br/cpvs/pesquisar.aspx

[4] Para a informação correta, leia a bula do medicamento e consulte um veterinário para a utilização mais adequada do mesmo.

[5] MRL – Maximum Residues Levels – em inglês.

[6] Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em alimentos de origem animal.

About
Químico com especiliazação em alimentos Foi executivo das áreas da qualidade na Nestlé, Vigor, Kerry, Fuchs, Bel Alimentos e Mr. Bey. Foi gestor comercial da Idexx Brasil para as áreas de lácteos e Food Safety. É sócio da Food Suporte, consultoria para as áreas de alimentos e soluções para as indústrias e marketing e vendas para produtos científicos.

Leave a Comment

Contact Us

We're not around right now. But you can send us an email and we'll get back to you, asap.

Not readable? Change text.